15 de junho de 2005

A PRIMEIRA POESIA

Não gostava nada de poesia, na minha adolescência. Até a escola me obrigar a ler Eugénio de Andrade. E desse dia em diante comecei a anotar as coisas de maneira diferente. A leitura do mundo assumiu-se como uma possibilidade poética.
Hoje, por e-mail, recebo do Pen Club a lembrança de alguns dos seus versos que me apetece partilhar:

"Apenas um Corpo Respira.
Um corpo horizontal,tangível, respira.
Um corpo nu, divino,respira, ondula, infatigável.
Amorosamente toco o que resta dos deuses.
As mãos seguem a inclinaçãodo peito e tremem,pesadas de desejo.
Um rio interior aguarda.
Aguarda um relâmpago,um raio de sol,outro corpo.
Se encosto o ouvido à sua nudez,uma música sobe,ergue-se do sangue,prolonga outra música.
Um novo corpo nasce,nasce dessa música que não cessa,desse bosque rumoroso de luz,debaixo do meu corpo desvelado."
E.A.

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